Eu estava na minha casa em Itaberaba tirando um cochilo quando comecei a ter um estranho pesadelo. Dirigia pela avenida Rui Barbosa super movimentada até chegar no semáforo do Centro. Naquele local havia um burburinho e um homem pedindo socorro dizendo.
- Socorro! Peguem esses ladrões.
Parei o carro e perguntei-lhe o que se passava. Ele me disse que Ronaldo Fenômeno e Dercy Gonçalves haviam se hospedado no Hotel Morro das Flores e fugido em uma moto, sem pagar a conta. Dissera-me também que eles teriam passado pelo Mercado Velho e roubado uma rapadura, um pacote de fumo e outras coisas mais. Fui tomado por uma fúria animal e saí na direção que o povo apontava. Subi a Av. Brigadeiro a todo gás e em poucos segundos encontrei os dois subindo a Ladeira do Monte a pés. Ronaldo carregava uma sacola e dava a mão a Dercy com dificuldade de subir. A moto quebrada ficou no meio do caminho.
Era fim de tarde, curiosamente, na mesma hora do lado de cá do sono, e o sol estava se pondo atrás do Monte. Apanhei uma espingarda no fundo do carro, mirei nos dois caloteiros e antes que os dois chegassem à Igrejinha e fizessem o pobre do padre de refém ou se jogassem da Pedra do Vaqueiro para virarem lendas, eu os acertei em cheio com precisão. Uma nuvem de chumbo os derrubou com um grito lúgubre assustando as aves do arrebol. Rolaram ladeira abaixo, abraçados, vindo parar aos meus pés. Dercy perguntou – é um filme essa p...? – Sem dar tempo para que ela soltasse seu último e doce palavrão com sua boca cheia de rapadura, eu dei o tiro de misericórdia. Ronaldo suando de pavor e rindo diabolicamente, deixou sua última frase com um baita pedaço de rapadura na boca: “É doche moier no Monte”. Ainda dei vários disparos para cima.
Era mês de junho, acordei com um barulho de fogos da vizinhança, bem parecido com os tiros secos da espingarda. Um caso típico de projeção, quando o subconsciente simula uma situação para dar sentidos a algum ruído estridente ou movimento, enquanto dormimos, e assim não ter que acordar. Peço desculpas a Ronaldo e a Dercy. Só quis mostrar pra eles que rapadura é doce, mas não é mole não.
Era fim de tarde, curiosamente, na mesma hora do lado de cá do sono, e o sol estava se pondo atrás do Monte. Apanhei uma espingarda no fundo do carro, mirei nos dois caloteiros e antes que os dois chegassem à Igrejinha e fizessem o pobre do padre de refém ou se jogassem da Pedra do Vaqueiro para virarem lendas, eu os acertei em cheio com precisão. Uma nuvem de chumbo os derrubou com um grito lúgubre assustando as aves do arrebol. Rolaram ladeira abaixo, abraçados, vindo parar aos meus pés. Dercy perguntou – é um filme essa p...? – Sem dar tempo para que ela soltasse seu último e doce palavrão com sua boca cheia de rapadura, eu dei o tiro de misericórdia. Ronaldo suando de pavor e rindo diabolicamente, deixou sua última frase com um baita pedaço de rapadura na boca: “É doche moier no Monte”. Ainda dei vários disparos para cima.
Era mês de junho, acordei com um barulho de fogos da vizinhança, bem parecido com os tiros secos da espingarda. Um caso típico de projeção, quando o subconsciente simula uma situação para dar sentidos a algum ruído estridente ou movimento, enquanto dormimos, e assim não ter que acordar. Peço desculpas a Ronaldo e a Dercy. Só quis mostrar pra eles que rapadura é doce, mas não é mole não.

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